FRONTISPÍCIO DAS ARTES

A arte começa onde a imitação acaba. Oscar Wilde

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Gustav Klimt


Biografia - Gustav Klimt (1862-1918)

Em 1894, ao receber a incumbência de pintar três grandes painéis para o teto do auditório da Universidade de Viena, o artista Gustav Klimt provocou escândalo. Os professores e diretores da Universidade de Viena ficaram chocados. Acharam que aquilo era uma provocação, um emaranhado caótico e sem sentido de imagens, algumas delas supostamente beirando a pornografia.Ao representar as figuras da Filosofia, da Medicina e da Jurisprudência -- os três cursos da Universidade --, Klimt deixara de lado o estilo que o consagrara até ali. Entre outras obras, ele já havia assinado a decoração do teto e das escadarias laterais do imponente Teatro Municipal de Viena, além de ter finalizado o projeto de decoração do Museu de História da Arte da cidade. Era, portanto, quase uma espécie de muralista oficial, filiado à Sociedade dos Artistas Vienenses.Mas, dessa vez, nos painéis da Universidade, lançara mão de alegorias inusitadas, em que corpos nus femininos eram apresentados em poses tidas como obscenas, enquanto os rostos, com olhos semicerrados e bocas entreabertas, passavam um ar de lascívia e de uma mórbida sensualidade. Sem falar que, ao abandonar o olhar realista e adotar os maneirismos da art nouveau, Klimt provocou duplo espanto entre os tradicionalistas.Em 1906 conheceu Egon Schiele em cuja obra exerceu grande influência.A polêmica teve início em 1900, quando Gustav Klimt, já rompido com a conservadora Sociedade dos Artistas Vienenses, passara a dirigir uma entidade dissidente, a Secessão de Viena. Em uma exposição patrocinada pelo novo grupo, exibiu o primeiro dos três painéis, A Filosofia. Alvo de acirradas controvérsias, prosseguiu no trabalho durante mais alguns anos, aem 1905 retirou os painéis e devolveu seus honorários , após receber uma saraivada de críticas que extrapolou os muros da Universidade e reverberou na imprensa local.. O último painel, A Jurisprudência, foi concluído somente em 1907.Livre das amarras oficiais, Klimt deu prosseguimento a sua carreira com uma dose ainda maior de liberdade. Deixou a Secessão para, com outros colegas, fundar o chamado Grupo Klimt. Apesar do escândalo dos painéis para a Universidade, tornou-se o artista predileto da sociedade local, destacando-se como um retratista original, especializado em pintar rostos femininos envoltos em uma esmerada ornamentação, o que viria a se tornar uma marca registrada.Seus trabalhos mais famosos pertencem à chamada "fase dourada", na qual mais uma vez retratou preferencialmente mulheres, de forma quase figurativista, mas em que as figuras humanas são adornadas por espirais, arabescos, pequenos objetos e formas geométricas. O aspecto naturalista das mãos e corpos contrasta com o fundo exuberante e fantasioso.Barbudo, na maioria das vezes envolto em uma túnica escura sem colarinho, Gustave Klimt tornou-se uma figura exótica, célebre por seus muitos casos amorosos. Ao longo de muitos anos tentou, sem sucesso, ser admitido na Academia de Arte de Viena. Só em 1917, aos 55 anos, recebeu o devido reconhecimento, ao ser eleito membro honorário daquela entidade. Não houve tempo, contudo, para desfrutar de tal homenagem. No início do ano seguinte, em janeiro, sofreu um ataque de apoplexia e morreu quase um mês depois.

Edgar Degas


Biografia - Edgar Degas (1834-1917)

Existe o amor e existe o trabalho, mas se tem apenas um coração". Esta frase, proferida pelo próprio Degas, reflete a escolha de vida desse excepcional artista, que viveu para a arte trabalhando incessantemente , mas que nunca teve um relacionamento amoroso "de verdade".Hilaire-Germain-Edgar De Gas provinha de família abastada e nasceu em 19 de julho de 1834, em Paris. Descendia, por parte de pai, de ricos banqueiros napolitanos, e sua mãe era uma americana de Nova Orleans. Filho de apreciadores de música e artes plásticas, foi privilegiado por desfrutar do incentivo do pai, que permitiu que o jovem artista transformasse um dos quartos do apartamento em ateliê.Foi também com o apoio do pai que o jovem Edgar abandonou a faculdade de Direito para se dedicar exclusivamente à arte: discípulo do pintor Félix-Joseph Barrias e depois de Louis Lamothe (que havia sido discípulo de Ingres), Degas logo realizaria viagens à Itália, passando por Roma, Assis, Orvieto e Nápoles. É dessa época seu notável retrato "A Família Bellelli", onde podemos notar uma "tensão" na expressão de seus tios, que viviam em Florença. Durante suas viagens à Itália (três em quatro anos), se empenha no estudo de artistas renascentistas, cuja maneira de desenhar seria de fundamental influência para o pintor.Na sua volta a Paris, em 1862, conhece Édouard Manet, que viria a ser seu grande amigo e lhe apresentaria ao círculo de artistas que algum tempo mais tarde formaria o grupo dos "impressionistas". Homem de personalidade arredia e fechada, Degas tinha forte tendência para a melancolia, além de uma língua ferina. Chegou a ser apelidado de "Urso", dado o "perigo" que corriam aqueles que dele se aproximavam.Sua proposital reclusão, porém, foi fundamental para que desenvolvesse seu apurado método artístico: incansáveis croquis e esboços eram feitos antes de cada tela. Ainda que muitas vezes apresentasse trabalhos de aparente simplicidade e casualidade, era através de muito estudo que conseguia atingir seu objetivo: obras quase "fotográficas", com cenas que parecem captar um momento único e inesperado, impressões efêmeras (daí sua inclusão entre os impressionistas) de uma espontaneidade calculada. "O que faço é resultado da reflexão e do estudo dos grandes mestres, não sei nada a respeito da inspiração", afirmava.Ao contrário dos impressionistas mais "puros", gostava de trabalhar dentro de seu estúdio, fazendo uso de iluminação artificial. Era desse modo que conseguia apurar os traços do desenho. Seu objetivo era conciliar técnicas tradicionais com temas de sua época: personagens comuns como bailarinas, cavalos, mulheres trabalhando ou em momentos de intimidade eram seus preferidos.Nos últimos anos de vida Degas foi progressivamente perdendo a visão, o que fez dele uma pessoa ainda mais reclusa e de difícil convivência. Isolado e com poucos amigos, viria a morrer em 27 de setembro de 1917, na Paris onde sempre viveu.

Wassily Kandinsky


Biografia - Wassily Kandinsky (1866-1944)

Wassily Kandinsky poderia ter sido apenas um obscuro professor de direito na velha Rússia czarista, se não houvesse decidido, certa manhã, conferir uma exposição de pintores impressionistas franceses em Moscou. A visão de um monte de feno, pintado por Monet, provocou nele um entusiasmo incomum.Numa época em que os críticos mais tradicionais torciam o nariz e consideravam os quadros impressionistas meros borrões de tinta sobre a tela, Kandinsky ficou deslumbrado. Segundo ele próprio contaria mais tarde, foi ali que percebeu, pela primeira vez, que a obra de arte não precisava se resumir a imitar a natureza. Estava plantada a semente da arte abstrata, forma de expressão que teria em Kandinsky um pioneiro e um de seus mais ardorosos teóricos.Nascido em Moscou, no ano de 1866, Kandinsky não abraçou o abstracionismo da noite para o dia. Foi necessário todo um processo de evolução pictórica, até alcançar gradativamente a completa abolição da figura em sua obra.Ainda sob o efeito da exposição impressionista, decidiu recusar o cargo de assistente na faculdade de direito em uma universidade russa e, em 1896, aos 30 anos, mudou-se para Munique, na Alemanha, com o firme propósito de dedicar-se ao estudo da arte. Antes de partir, casou com uma prima, Anya Ticheyeva, que levou junto com ele.Mas as aulas ministradas pelos professores na Alemanha, ainda presos ao realismo e ao academicismo, não o satisfizeram. Aproximou-se então de artistas mais jovens, como Paul Klee, e passou a desenvolver sua própria teoria estética, pregando a libertação da arte da reprodução subserviente da natureza.Seus primeiros quadros europeus, é verdade, ainda mostravam nítidas influências impressionistas. Exibiam figuras humanas, objetos naturais e evocavam elementos da arte popular russa. Aos poucos, porém, os contornos se fizeram mais imprecisos, os rostos perderam definição e, cada vez mais, as formas tornaram-se apenas vagas referências de algo existente no mundo real. "Enquanto a arte não dispensar o objeto, ela será meramente descritiva", sentenciou Kandinsky.Casado pela segunda vez, com uma artista alemã, Gabriele Muenter, Kandinsky decidiu voltar à Rússia em 1914. Três anos depois, em 1917, trocou Gabriele por uma jovem russa, Nina von Andreyewsky, com quem ficará até o fim da vida. Naquele mesmo ano, eclodiu a revolução socialista, liderada por Lênin. Respeitado pelos intelectuais revolucionários, o artista foi convidado a fazer parte do Comissariado para a Educação e a dar aulas em academias estatais, mantidas pelo novo regime.Mas a pintura de Wassily Kandinsky era abertamente incompatível com o "realismo socialista", estilo imposto aos artistas russos após a Revolução. Classificado pelos ideólogos soviéticos como um representante da "arte burguesa e decadente", Kandinsky viu-se obrigado a deixar novamente o seu país natal, retornando em 1921 à Alemanha, onde assumiu o cargo de professor da Bauhaus, famosa e inovadora escola de arquitetura e artes aplicadas.Em 1933, com a chegada de Hitler ao poder, a alemã Bauhaus foi fechada. Kandinsky, que já fora criticado e defenestrado pelos soviéticos, passou a ser rotulado pelos nazistas como um "cancro da bolchevização da arte". Não lhe restava outra alternativa a não ser providenciar uma nova e imediata transferência, agora para Paris.Sete anos mais tarde, quando os nazistas invadiram a França, Wassily Kandinsky estava velho demais para empreender mais outra mudança. Septuagenário, cuidou de diminuir o ritmo de sua produção e passou a viver de forma discreta e reservada.Kandinsky morreu em 1944, aos 78 anos. Passado o obscurantismo nazista, seu nome foi aclamado, na Alemanha e em toda a Europa, como o mestre que inaugurou o abstracionismo, uma das maiores revoluções de todos os tempos na história da arte.

Rembrandt


Biografia - Rembrandt (1606-1669)

Ele nasceu em família humilde, ficou bastante rico antes dos 30 anos, foi proprietário de uma mansão e colecionava finos objetos de arte. Foi à falência e, ao morrer, vivia em extrema simplicidade, recluso em sua casa. Trabalhou incansavelmente até o fim da vida, produzindo uma quantidade admirável de telas, gravuras e desenhos. Este era Rembrandt Harmenszoon van Rijn, possivelmente o maior pintor que a Holanda já teve, e que só seria reconhecido como tal a partir do século 19.Nascido em Leiden em 15 de junho de 1606, Rembrandt era o oitavo de nove filhos. Filho de um moleiro, era o único a não trabalhar na moagem de trigo com a família, tendo ingressado, ainda aos sete anos, na Escola Latina de Leiden. Sua vocação para o desenho e a pintura já era visível.Rembrandt ainda faria uma passagem rápida pela Universidade de Leiden, antes de se mudar para Amsterdã a fim de tornar-se discípulo do então famoso pintor Pieter Lastman. Foram seis meses de aprendizado e influência: Lastman havia estudado na Itália e apreciava os efeitos dramáticos e a representação detalhada de adornos e vestimentas.Mas foi somente após a parceria com Jan Lievens, com quem dividiu um estúdio, que Rembrandt começou a criar sua reputação de artista talentoso e promissor. Com não mais de 21 anos já era professor de pintura e, aos 25, realizou seu primeiro trabalho por encomenda: o retrato de Nicolaes Ruts, um rico comerciante.Entre 1632 e 1633 produziu cerca de 50 retratos, um número impressionante. Rembrandt era requisitado pelos burgueses enriquecidos que desejavam se ver eternizados nas paredes de suas casas. Data dessa época um de seus mais famosos quadros: "A Lição de Anatomia do Dr. Tulp", obra em que revolucionou a idéia de "retrato de grupo" ao trazer para a tela homens que, apesar de não serem, nenhum deles, personagens principais, conservam detalhes individuais e expressões únicas.Em 1634 casou-se com Saskia, com quem teve quatro filhos. Somente o último deles, porém, chegaria à idade adulta. Saskia, já com a saúde debilitada, morreu cerca de um ano depois do último parto. Tinha início uma nova - e desafortunada - fase: Rembrandt passava a ser menos procurado pela burguesia, ironicamente porque apurava sua técnica e se recusava a fazer os retratos que seus clientes esperavam. Ao invés de belos e enaltecedores, seus quadros se tornavam mais expressivos e reveladores. E as pessoas não gostavam de se ver retratadas de maneira fiel e verdadeira.O artista passou a contrair dívidas e começou a vender seus bens. Em 1650 tem início sua "fase experimental", quando passou a fazer testes com água-forte, técnicas de impressão, novas tonalidades e papéis diferentes. Sua última companheira, quase 20 anos mais jovem, seria Hendrickje Stoffels, que começou como empregada em sua casa. Com ela teve mais dois filhos sendo que somente a caçula, Cornelia, sobreviveu. Rembrandt morreu aos 63 anos, morando numa casa humilde e ainda pintando. Em seu cavalete deixou um último quadro, ainda por terminar.

Auguste Renoir



Biografia - Auguste Renoir (1841-1919)


Pierre-Auguste Renoir costuma ser chamado de "o pintor da vida". Ainda que nunca tivéssemos visto um quadro seu sequer, essa bela maneira de se referir a ele seria um forte chamariz para a obra deste homem, tido como uma pessoa alegre e carismática em vida, sempre rodeada de amigos.Renoir nasceu na cidade de Limoges em 1841, filho de costureiros humildes. Aos quatro anos vai para Paris com a família, e lá passa uma infância feliz. Seu primeiro contato com as artes seria trabalhando como pintor de porcelanas em uma fábrica, atividade que o levou a decidir ser artista profissionalmente.As aulas na Escola de Belas Artes e no estúdio de Charles Gleyre (onde conheceu Monet) eram intercaladas com "sessões" de pintura ao ar livre, geralmente nos parques e bosques próximos a Paris. Data daí o início das discussões a respeito de uma nova maneira de pintar, numa tentativa de captar nas telas momentos tão passageiros quanto a luz do sol e as sombras: juntamente de Monet, Sisley, Bazille, Degas e Manet, formava-se o grupo que inventaria o Impressionismo.No caso de Renoir, que até gostava de pintar paisagens mas tinha clara preferência por retratar pessoas (fossem retratos de conhecidos ou de cidadãos anônimos), o mundo era composto por ruas reluzentes, muita luz e vida cotidiana. Estes eram os temas preferidos em sua obra.O artista continuaria "integrando" o grupo dos impressionistas, mas nunca deixou de fazer os retratos que lhe davam sustento. Após viagens à Argélia (influenciado pela obra de Delacroix) e Itália, em 1881 (onde apreciou e se inspirou nos renascentistas, em especial Rafael), volta à França com novo fôlego e decide deixar um pouco de lado a maneira rápida, "inacabada" e impressionista de pintar para retratar personagens mais delineados e severos em quadros como "As Banhistas" (1884/87), com clara influência de mestres do Renascimento.Algum tempo depois, porém, o artista voltaria ao seu estilo mais característico, mesclando conhecimentos clássicos a cores mais quentes, cenas do dia-a-dia e pinceladas mais livres.Renoir foi casado com Aline Charigot, com quem teve 3 filhos. O segundo deles, Jean Renoir, viria a tornar-se um grande cineasta. Entre seus filmes destacam-se "A Grande Ilusão" (1937) e "A Regra do Jogo" (1939). Tendo vivido seus últimos em Cagnes, na Riviera Francesa, Renoir morreu em 1919, quatro anos depois de sua amada Aline. Mesmo sem conseguir andar ou segurar com firmeza o pincel, o artista continuou pintando até o fim da vida.

Edvard Munch



Biografia - Edvard Munch (1863-1944)
A doença, a loucura e a morte foram os anjos negros que velaram sobre meu berço", escreveu o pintor norueguês Edvard Munch, cuja mãe morreu tuberculosa, quando ele tinha apenas cinco anos de idade. A irmã mais velha também morreu tísica, aos 15 anos. Uma outra irmã, mais nova, foi internada com o diagnóstico de esquizofrenia. O pai tinha surtos de depressão e arroubos de fanatismo religioso. Aos 35 anos, o próprio Munch foi vitimado por um colapso nervoso, agravado pelo alcoolismo e por uma desilusão amorosa.A história de Edvard Munch é uma sucessão de acontecimentos turbulentos, que ficariam registrados em sua obra, caracterizada por temas recorrentes como a doença, a angústia e o delírio. "Eu não posso me desfazer de minhas enfermidades, pois há muita coisa em minha arte que só existe por causa delas", reconhecia.Munch nasceu na Noruega, em 1863. Com a morte da mãe, passou aos cuidados de uma tia, que se encarregou de sua educação e o iniciou no mundo das telas e pincéis. Tornou-se aluno da Escola de Artes e Ofícios da cidade de Kristiania, atual Oslo, e começou a pintar seguindo os moldes naturalistas, seguindo os passos de seu mestre à época, Christian Krogh, um dos principais nomes da arte realista norueguesa, de forte conotação social. "Queremos mais do que uma mera fotografia da natureza. Não queremos pintar quadros bonitos para serem pendurados nas paredes das salas de visitas. Queremos criar uma arte que dê algo à humanidade", dizia Edvard Munch.Foi durante as primeiras viagens a Paris, em 1885 e 1889, que Munch entrou em contato com a obra dos pós-impressionistas e ficou particularmente fascinado pelo trabalho de Vincent van Gogh e Paul Gauguin. Estava preparado o terreno para a grande transformação pela qual viria a sofrer sua obra, que passou a refletir sobre as profundezas da alma humana. Munch, com suas pinceladas intensas e temáticas de forte teor psicológico, tornou-se uma das principais fontes do movimento expressionista alemão.A partir de 1892, começou a levar uma vida movimentada, com seguidas viagens pelo continente. Permaneceu por longas temporadas na Alemanha, onde se integrou naturalmente à vanguarda boêmia e intelectual de Berlim e viveu seu período mais criativo. Visitou a Itália, retornou algumas vezes à França e fez visitas ocasionais à terra natal, a Noruega. Tornou-se um artista cosmopolita até que, em 1908, uma crise nervosa agravada pelo alcoolismo, provocou sua internação em um clínica de doentes mentais na Dinamarca.Antes mesmo de receber alta é nomeado Cavaleiro da Ordem de St. Olaf por sua atividade artística e em 1909, já fora da Clínica realiza uma exposição com sucesso de vendas e ganha o concurso para decorar, com painéis pintados a óleo, as paredes do salão nobre da Universidade de Oslo. Mas, logo depois disso, buscou refúgio em um estilo de vida solitário, nos arredores da cidade.Nem assim Edvard Munch encontraria paz e sossego. Em 1937, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, foi considerado pelos nazistas como um "artista degenerado". Três anos depois, com a Noruega já ocupada pelo exército alemão, foi convidado pelo governo para fazer parte de um Conselho Honorário de Arte. Munch rejeitou a oferta e se recusou a colaborar para um regime manipulado por Hitler.Em seus últimos anos de vida, pintou uma série de auto-retratos, em que mostrava os efeitos do tempo sobre si próprio. Morreu em janeiro de 1944, sem conseguir assistir ao final da guerra e a derrota dos nazistas.

Eugène Delacroix


Biografia - Eugène Delacroix (1798-1863)


Artista famoso pela intensidade de suas cores e por experimentos que o levaram a revolucionar a maneira de trabalhar os tons, Eugène Delacroix é o mais conhecido representante do estilo romântico na pintura. As cenas de paixão, violência e sensualidade, aliadas ao colorido das vestes e paisagens, fizeram a fama desse pintor da nobreza, nascido Ferdinand-Victor Eugène Delacroix a 26 de abril de 1798, no subúrbio parisiense de Saint-Maurice.Seu pai, um membro do governo que havia votado a favor da execução de Luís 16, em 1793, morreu quando Delacroix tinha sete anos. O então pequeno Eugène vivia em Bordeaux, e alguns meses mais tarde retornaria a Paris com a família. Sua mãe morreu em 1814, restando-lhe viver com a irmã, Henriette. Um ano depois, inscreve-se como aprendiz no estúdio de Pierre-Narcisse Guérin, famoso pintor e professor de sua época. Tinha início uma produção artística que só teria fim com sua morte, 48 anos depois.Delacroix ingressa na Escola de Belas Artes de Paris, e é ali que conhece Theódore Géricault, um jovem pintor que lhe seria de grande influência por sua dramaticidade e maneira inovadora de usar as cores. Diferentemente dos artistas mais clássicos e acadêmicos, Géricault inspira Delacroix a inovar tanto na composição quanto na escolha de temas mais políticos e atuais para suas telas.Artista culto e bem-relacionado, Delacroix era também um homem elegante e espirituoso, apesar de demonstrar, por vezes, um temperamento explosivo. Foi amigo do casal Chopin e George Sand, e bastante influenciado pelos trabalhos intensos e dramáticos de Rubens, pelas paisagens do inglês John Constable e pelos poemas de Lord Byron, cujos temas transportou para diversos trabalhos. Sua obra mais famosa, "A Liberdade Guiando o Povo" (1831), foi um sucesso por prestar glórias à democracia e à revolução que, um ano antes, levara Luís Felipe ao poder. A obra foi imediatamente adquirida pelo governo pela quantia de 6.000 francos, bastante alta na época.A viagem de quase seis meses à Espanha, Marrocos e Argélia, em 1832, seria importantíssima na trajetória do artista, que a partir daí passou a retratar temas e episódios do Oriente Médio. As cores se intensificaram e mostravam-se mais vibrantes. Delacroix passa a realizar trabalhos de grande escala em prédios públicos e igrejas, pintando murais e painéis. O Salão do Rei e a biblioteca do Palácio Bourbon, além da biblioteca do Palácio de Luxemburgo ostentam, até hoje, obras de grandes dimensões realizadas por ele.Tendo participado diversas vezes do Salão de Paris e premiado com a Grande Medalha de Honra e a comenda da Legião de Honra, foi eleito, ainda, membro da Academia de Belas Artes de Paris. Até um ministério Delacroix assumiu após a revolução de 1830. Tantas honrarias, porém, não impediram que o artista passasse seus últimos anos de vida recluso em seu estúdio em Paris, sem filhos ou muitos amigos. Suas crises de laringite, que lhe afligiram durante grande parte da vida, foram a causa de sua morte, aos 65 anos.

Salvador Dalí


Biografia - Salvador Dalí (1904-1989)
Ele dizia que seus quadros eram "fotografias de sonhos pintadas à mão". Frasista inspirado, dono de uma verve irresistível, Salvador Dalí era um homem excêntrico, dado a surtos de exibicionismo e megalomania, o que ajudou a criar em torno de sim uma aura mítica de ousadia e loucura."As duas coisas mais felizes que podem acontecer a um pintor contemporâneo são: primeiro, ser espanhol, e segundo, chamar-se Dalí. Ambas me aconteceram", dizia, com sua insuperável capacidade para o marketing pessoal. "Todas as manhãs eu experimento uma delicada alegria - a alegria de ser Salvador Dalí - e me pergunto, em êxtase, que coisas maravilhosas esse Salvador Dalí vai realizar hoje?"Nascido na cidade catalã de Figueres, na Espanha, começou a pintar por volta dos 13 anos, época em que seu pai organizou uma exposição familiar com seus desenhos a carvão. Cinco anos depois, em 1922, Salvador Dalí mudou-se para Madri, onde ingressou na Academia de San Francisco e conheceu o poeta Federico Garcia Lorca e o futuro cineasta Luis Buñuel. Com o primeiro, teria um caso de amor platônico. Com o segundo, viria a fazer os filmes surrealistas Um Cão Andaluz (1929) e A Idade do Ouro (1930). "Sou um monstro de inteligência", gabava-se.Foi no mesmo ano das filmagens de Um Cão Andaluz que passou a morar com a russa Elena Dimitrievna Diakonova, dez anos mais velha do que ele e então casada com o poeta francês Paul Eluard. Diakonova, apelidada de Gala, ficará com Dalí até o último dia de sua vida. "Ela curou-me de todas as minhas angústias. Gala é a curandeira dos terrores", definia o artista, que jurava ser virgem até conhecer sua eterna musa.A ruptura oficial com os surrealistas foi barulhenta. Salvador Dalí foi expulso das hostes do movimento pelo líder André Breton, que passara a defender a doutrina marxista. Dalí, acusado de compactuar com o fascismo, se disse um "anarco-monarquista" e desdenhou da expulsão: "O surrealismo sou eu".No início da Segunda Guerra, em 1940, Dalí e Gala mudaram-se para os Estados Unidos, onde o artista colaborou com Alfred Hitchcock em uma seqüência do filme Spellbound (Quando fala o coração). O casal permaneceu nos EUA até 1955. Quando retornou a Espanha, Salvador Dalí declarou apoio ao ditador Francisco Franco. "Sou favorável aos períodos de inquisição. Quanto mais opressões, mais se é levado a precisar o que se deve dizer. Sim à repressão das liberdades", declarou.A partir de 1982, com a morte de Gala, Salvador Dalí tornou-se um homem recluso, abatido pelo Mal de Parkinson. Deprimido pela ausência da mulher, recusou-se a comer e passou a ser alimentado por uma sonda nasal, com a qual posou para a capa da revista americana Vanity Fair.Dalí viveria até 1989. Porém, os críticos mais rigorosos afirmavam que sua arte já morrera muito tempo antes dele, ainda ao final da primeira fase surrealista, na distante década de 1930. Depois disso, passara a viver apenas do escândalo e da polêmica em torno de seu comportamento pouco ortodoxo.

Caravaggio


Biografia - Caravaggio (1571-1610)
Michelangelo, seu primeiro nome, é igual ao de outro mestre. Michelangelo Merisi da Caravaggio nasceu em 1571, e o nome Caravaggio é referente à cidade em que viveu. Por muitos anos acreditou-se que o artista teria nascido nesta cidade, mas hoje muitos historiadores trabalham com a hipótese de sua cidade natal ser Milão. Foi somente em 1576 que a família se mudou para a vila de Caravaggio, com a intenção de fugir da peste que assolava Milão. Conhecido como um artista "tenebrista", cujo estilo de pintar mesclava fundos negros com focos de luz intensa, ficou famoso, também, por seu gênio tempestuoso.Arte que reflete a vida de seu criador, os quadros de Caravaggio contêm traços dessa existência intensa e turbulenta, apresentando cenas religiosas com violência e crueldade, como em "A Decapitação de São João Batista". O forte contraste entre os fundos escuros (as "trevas") e os personagens banhados por uma luz que incide forte e dramática, típico da técnica do "claro-escuro", é a principal característica das obras do artista, marcadas também por um forte realismo na caracterização dos personagens, suas vestes e objetos que os cercam.Seu pai morreu quando ele tinha apenas seis anos; a mãe, quando tinha 18. Alguns anos antes, aos 12, o então jovem artista ingressava como aprendiz no estúdio do pintor milanês Simone Peterzano. Após a morte da mãe, Caravaggio herdou parte da propriedade da família. Foi com o dinheiro da venda dessas terras que ele partiu para Roma. Lá, passou a conviver com artistas plásticos e arquitetos vindos de toda a Itália, numa época em que a Contra-Reforma católica incentivava a construção de novas igrejas e os trabalhos de decoração nos templos eram fartos.Caravaggio teve uma vida curta: não chegou aos 40 anos e viveu a maior parte desse tempo em Roma. Após um período inicial de miséria, quando chegou a fazer pinturas em série para vender nas ruas, passou a trabalhar para o Cardeal Del Monte, clérigo sofisticado e rico, patrono da escola de pintores de Roma, a "Academia de São Lucas". Com um aposento no "palazzo" do Cardeal e uma pensão regular, Caravaggio passou a pintar vários quadros de rapazes com traços femininos, já que Del Monte, secretamente, apreciava jovens desse tipo.Até fugir de Roma devido a uma briga, Caravaggio realizaria uma série de importantes quadros de temática religiosa, muitas vezes feitos diretamente nas paredes das novas capelas que eram erguidas. Ao recusar-se a pagar uma aposta perdida, o genioso pintor brigou com um certo Ranuccio Tommasoni, que não resistiu aos ferimentos. Começaria então o período final de sua vida, quando viveu em Nápoles, Malta, Siracusa, Messina e Palermo, geralmente fugindo de um lugar para o outro devido a desavenças e perseguições.Morreu aos 39 anos, a poucos quilômetros de Roma, mas sem ter retornado à cidade, já que não havia conseguido o perdão papal para voltar. O artista Giovanni Baglione, que anos antes o havia processado por ofensa, narrou seus últimos momentos: "Foi colocado numa cama, com febre muito forte, e ali, sem ajuda de Deus ou de amigos, morreu depois de alguns dias, tão miseravelmente quanto viveu".

Joan Miró


Biografia - Joan Miró (1893-1983)

Ele nasceu em Barcelona e, na escola, era apelidado de "cabeçudo", por ser considerado o garoto mais abobalhado entre os colegas. Passava o tempo desenhando ou colecionando pedras e plantas. A contragosto, o senhor Miguel Miró Adzerias permitiu que o filho, aos 14 anos, ingressasse na Escola de Belas Artes de Barcelona. Mas o jovem não chegou a esquentar os bancos da instituição. Insatisfeito com o currículo essencialmente acadêmico, deixou de freqüentar as aulas.O pai de Miró convenceu-se de que o rapaz era um caso perdido. Obrigou-o então a se empregar como guarda-livros em uma drogaria e disse que ele precisava começar a planejar o próprio sustento. Resultado: a pressão e a rotina burocrática do trabalho levou o jovem Miró a uma crise de depressão, que veio acompanhada de febre tifóide.Foi durante o período de convalescença, numa fazenda da família em Montroig, nas montanhas da Catalunha, que Miró decidiu levar adiante, apesar das resistências paternas, o projeto de ser artista. Ao retornar a Barcelona, passou a freqüentar o ateliê e escola de arte de Francisco Gali, a partir dos quais passou a travar contato com o mundo artístico e boêmio da cidade. Apesar disso, seu comportamento arredio e introvertido nunca lhe permitiram acompanhar os colegas nas costumeiras incursões madrugada adentro.Por volta dos 25 anos, em 1919, decidiu mudar-se para Paris, onde as vanguardas dominavam o cenário artístico e cultural. Instalado na capital francesa, Miró ficou particularmente interessado nas experiências surrealistas de exploração do inconsciente. "Ele foi o mais surrealista de todos nós", chegou a dizer o líder inconteste do movimento, o escritor André Breton.Mais tarde, ao recordar esse período de sua vida, em que alternava os verões em Montroig e os invernos em Paris, o próprio Miró diria que havia uma diferença básica entre eles e os colegas ligados ao surrealismo. Enquanto estes utilizavam substâncias artificiais para "abrirem livremente as portas da percepção", seu principal canal com o mundo da alucinação e do delírio era mesmo a fome."Eu voltava tarde da noite para casa e, por falta de dinheiro, não jantava. Assim, rabiscava no papel as sensações que a fome provocava em meu organismo", revelaria. Sem conseguir vender um número suficiente de quadros que lhe permitisse uma vida apenas razoavelmente digna, Miró chegou a enfrentar o rigoroso inverno de 1925 tiritando de frio, pois não tinha recursos para sequer mandar consertar o aquecedor que estava quebrado.Um contrato com o negociante de quadros Jacques Viot tirou-lhe dos tempos de penúria extrema. Em 1928, Miró aproveitou os melhores ventos e viajou para a Holanda, em busca de novas fontes de inspiração. No ano seguinte, casou-se com Pilar Juncosa, que lhe daria a única filha, Dolores, e com quem passaria a morar em Paris e, posteriormente, na Espanha. O artista levou um vida sossegada, dedicado integralmente à família e à arte, até o momento em que o fantasma da Guerra Civil Espanhola exigiu-lhe uma tomada de posição.Contrariado, Miró trocou novamente a Espanha pela França, mas participou ativamente da luta pela liberdade de seu país. Pintou cartazes de propaganda política e idealizou o painel "O Ceifeiro", que seria apresentado ao lado do célebre "Guernica", de Pablo Picasso, no pavilhão espanhol da Exposição Internacional de Paris.Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, Miró viu-se forçado a deixar novamente a França, em 1940, diante da iminência da ocupação nazista em Paris. Depois de uma temporada em Maiorca, retornou a Barcelona, em 1942. Nesse momento, o artista confessou por mais de uma vez que estava desiludido com os rumos da vida na Europa e temeu a vitória de Hitler. São desse período algumas de suas obras mais líricas e famosas, as que compõem a série "Constelações", na qual parece conjurar céus inteiros para se sobrepor à fúria cega desencadeada pela guerra.Miró e sua arte sobreviveram ao conflito e ganharam reconhecimento internacional definitivo nas décadas seguintes. Morreu aos 90 anos, rico e bem-sucedido, celebrado em todo mundo como um dos maiores artistas do século 20.

Paul Gauguin


Biografia - Paul Gauguin (1848-1903)

Até completar 35 anos de idade, o parisiense Eugène-Henri-Paul Gauguin era um bem-sucedido investidor da Bolsa de Valores na França. Não lhe faltava nada. Tinha mulher, um bom dinheiro, uma casa ampla e cinco filhos. Pintava nos finais de semana, apenas por hobby. Mas, em 1883, ficou desempregado e resolveu que, a partir dali, iria viver das telas e pincéis. "Enfim, posso pintar todos os dias", comemorou.A amizade com um artista mais velho, Camille Pissarro, foi determinante para tal decisão. Pissarro tinha uma história de vida cheia de peripécias: nascido na ilha de São Tomás, nas Caraíbas, deixou os negócios da família para viajar para a América do Sul, antes de chegar a Paris e passar a dedicar-se exclusivamente à carreira artística. Foi ele quem sugeriu a Gauguin que um artista de verdade não podia se resumir a pintar nos domingos e feriados. Em 1883 Gauguin perdeu seu emprego em função da quebra da bolsa de Paris e achou que era chegada a hora de optar pela arte.A reviravolta exigiu um preço alto demais. Um ano depois, Gauguin não havia conseguido vender um número suficiente de quadros para pagar as contas domésticas, que se acumulavam. Quando as economias acabaram, viu-se obrigado a mudar para Copenhague, na Dinamarca, onde o custo de vida era mais baixo e podia morar com a família da esposa, Mette Sophie Gad. Mas o casamento não resiste a essas mudanças. Em 1885, Gauguin voltou a Paris falido. Morou em um quarto miserável de pensão e quase morreu de fome.Após dois anos de dificuldades, conseguiu dinheiro para comprar uma passagem de navio para a América Central e foi trabalhar, como operário, na construção do Canal do Panamá, com a intenção de entrar em contato com outras culturas. De lá seguiu para a Martinica. Quando, no final de 1887, retornou à França, tinha pintado dezenas de quadros, nos quais renegava o impressionismo e buscava a "pureza" da arte primitiva. Mas pegou malária e ficou ainda mais pobre do que quando partira.Fabricou cerâmica para sobreviver e vendia esporadicamente seus quadros contando com a cooperação de Theo, irmão de van Gogh, que era marchand. Morou com o colega Van Gogh em Arles e, em 1891, quando começava a desfrutar de relativo prestígio na comunidade artística de Paris, jogou novamente tudo para o alto. Foi morar numa cabana em uma aldeia no Taiti, nas Polinésias Francesas, onde casou com uma nativa e pintou uma grande quantidade de obras influenciadas pela paisagem e pelas cores locais. "Espero cultivar a minha arte em estado primitivo e selvagem", escreveu.Em 1888 Gauguin vai para a Bretanha, onde já havia estado em 1886, entra em contato com a cultura camponesa e com uma comunidade de artista, entre eles, Émile Bernard. A passagem pela Bretanha é determinante para a sua obra.Voltaria à Europa mais uma vez, em 1893, quando recebeu uma herança deixada por um tio. Com o dinheiro, organizou uma exposição de seus quadros taitianos, prontamente bombardeados pelos críticos, que recriminaram-lhe as "cores exageradas" e "irreais". Desiludido, Gauguin abandonou a França de uma vez por todas. Retornou ao Taiti em 1895, onde continuou a enfrentar problemas financeiros e a sofrer os efeitos de outra doença: a sífilis.Pobre e enfermo, teve atritos com as autoridades locais por causa das críticas que fazia à administração colonial e à catequização dos nativos. Em 1897, ficou novamente sem dinheiro para se manter e para comprar os remédios de que necessitava. Deprimido, chegou a tentar o suicídio com arsênico, logo depois de receber a notícia da morte da filha, Aline, e de pintar sua obra mais monumental, a tela "De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?", medindo 1,39m por 3,75m. Quando recuperou-se, escreveu: "Eu queria morrer. E pintei este quadro de um golpe só".Mudou-se então, em 1901, para um local ainda mais isolado, nas ilhas Marquesas, também na Polinésia Francesa, para onde os amigos de Paris enviavam-lhe apoio financeiro. Mas Paul Gauguin continuou a criticar o regime colonial e a fazer inimigos entre os catequistas da Igreja Católica. Em represália, as autoridades locais o colocaram na cadeia, sob a acusação de "difamação" e "desacato".Gauguin foi condenado a três meses de prisão. Já muito doente, procurou se defender da acusação, mas foi encontrado morto no dia 8 de maio de 1903.

Henri Matisse


Biografia - Henri Matisse (1869-1954)

Aos 19 anos de idade, estudante de Direito em Paris, Henri Matisse dividia seu tempo entre o trabalho vespertino de escriturário em uma firma de advocacia e, pela manhã, as aulas em uma escola de desenho. Foi quando uma crise de apendicite o deixou um longo tempo preso à cama e assim, afastado do trabalho burocrático, começou a se dedicar com mais afinco à pintura. "Antes, o cotidiano me aborrecia. Ao pintar, passei a sentir-me gloriosamente livre e tranqüilo", ele dizia.Henri Emile Bernoit Matisse nasceu no último dia do ano de 1869, em Le Cateau, no norte da França. Era filho de um farmacêutico e comerciante de grãos, que sonhava em fazer do filho um próspero advogado. Contudo, Matisse preferiu abandonar a carreira jurídica e dedicar-se integralmente à pintura. Enquanto freqüentava como ouvinte a Escola de Belas-Artes, em Paris, ia ao Louvre para copiar os quadros de grandes mestres ali expostos.No começo, tudo parecia ir bem. Matisse teve quatro obras expostas no Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes e foi convidado para ser membro associado da entidade. Contudo, seu flerte inicial com a estética impressionista contrariou as expectativas da parcela mais conservadora da crítica e ele passou a encontrar dificuldades em divulgar seu trabalho.A situação se radicalizou quando participou do célebre Salão de Outono de 1905, em Paris, ao lado de Albert Marquet, Maurice Vlaminck e André Derain, que rejeitavam a paleta suave dos impressionistas e aderiram às cores fortes e aos traços expressivos, próximos aos de Vincent van Gogh e Paul Gauguin. A crítica detestou e reagiu com violência.Matisse e seus colegas foram então chamados de "fauves", numa livre tradução, "bestas selvagens". Daí surgiu o termo "fauvismo", utilizado inicialmente de forma pejorativa, para definir o movimento, de duração efêmera.Porém, o escândalo e a controvérsia ajudaram a divulgar o nome de Matisse e a aproximá-lo de marchands mais esclarecidos e das vanguardas estéticas de seu tempo. O artista passou a vender um quadro atrás do outro e a fazer viagens pela Europa, África e Ásia, onde manteve contato com novas influências que se refletiram em seu trabalho, desde a tapeçaria oriental aos arabescos da arte islâmica.Mas foi na luminosa cidade de Nice, na Riviera Francesa, com suas construções brancas e o mar azul do Mediterrâneo ao fundo, que Henri Matisse encontrou seu principal refúgio. Distanciado cada vez mais dos arroubos fauvistas, o artista buscava a harmonia e a paz de espírito. "Sonho com uma arte do equilíbrio, pureza e serenidade, isenta de temas inquietantes e perturbadores", dizia. "Quero que minha arte seja como uma boa poltrona em que se descansa o corpo cansado".Em 1941, combalido por um câncer no intestino, Matisse foi submetido a duas cirurgias, que lhe tolheram os movimentos e o deixaram em uma cadeira de rodas. Foi nesse período que passou a trabalhar mais intensamente com uma técnica que desenvolvera desde 1937: a aplicação de tinta em papel recortado, os famosos gouaches découpées, que serviriam para ilustrar seu livro Jazz, de 1947. As fotos desta época mostram Matisse em seu quarto de hotel, com tesoura na mão e pilhas de papel colorido no chão.Cada vez mais recluso, cercado de plantas e de pássaros que criava livremente no quarto, Henri Matisse viveu até 1954. Seu último trabalho foi o projeto de decoração de uma pequena capela na cidade montanhesa de Vence. Para a construção, despojada e banhada de sol, desenhou vitrais azulados e murais com finos traços negros sobre azulejos brancos. Considerava ter atingido ali a plenitude da simplicidade, sua obra-prima.

Diego Velázquez


Biografia - Diego Velázquez (1599-1660)

A maior marca deixada pelo artista espanhol Velázquez foi seu dom em propiciar dignidade e decência a todos os personagens que retratava, fossem eles reis, mulheres, crianças ou mesmo anões e bufões.Diego Rodríguez de Silva y Velázquez era filho de nobres e nasceu em junho de 1599 em Sevilha, na época a cidade mais rica da Espanha devido ao seu movimentado porto. Incentivado pelo pai, estudou nas melhores escolas e, já aos 12 anos, iniciava os estudos em pintura, primeiro com Francesco de Herrera, conhecido como "el Viejo", e depois com Francisco Pacheco, que viria a ser seu sogro.Precoce ao demonstrar talento para as artes, Velázquez mudou-se para Madri ainda muito jovem e, aos 24 anos, já assumia o cargo de pintor oficial da corte do rei Filipe IV. Ocuparia a função até o fim da vida, o que lhe daria condições de viajar e trabalhar com tranqüilidade.Em 1628 tornou-se amigo do pintor holandês Rubens, que visitava Madri. Juntos, trocaram idéias sobre trabalhos do Renascimento italiano e conversaram sobre mitologia, o que aumentou o desejo de Velázquez de conhecer a Itália, terra de pintores que exerceram grande influência sobre ele, como Caravaggio, Ticiano, Tintoretto e Veronese.Filipe IV lhe deu permissão para viajar e, em 1629, Velázquez foi à Itália, passando por cidades como Gênova e Veneza até chegar a Roma, onde ficou por cerca de um ano. Seguiu depois para Nápoles, na época uma possessão espanhola. Especula-se que o artista tenha pintado muitas obras nesse período, mas apenas duas chegaram aos dias de hoje: "A Túnica de José" e "A Forja de Vulcano". Um Velázquez ainda mais influenciado pelos renascentistas e pela arte clássica retornou a Madri em 1631, iniciando sua fase de maior produtividade.Homem de vida tranqüila e comedida, Velázquez pintava com calma e lentidão, já que, por ser membro da corte real, era obrigado também a cumprir funções burocráticas. De temperamento suave, levou uma vida sem grandes reviravoltas e de produção artística relativamente pequena: menos de 150 telas suas chegaram aos nossos dias. Calcula-se, porém, que tenha pintado não mais que 200 quadros ao longo da vida, dado seu ritmo compassado. Morreu em julho de 1660, em Madri, aos 61 anos de idade. Exatamente uma semana depois morria Juana, a filha de seu mestre Pacheco, com quem se casara aos 19 anos.

Pablo Picasso


Biografia - Pablo Picasso (1881-1973)


Ele amou as mulheres com a mesma intensidade com que produziu sua obra. Alguns críticos e historiadores chegaram a mostrar a coincidência, de forma um tanto quanto esquemática, entre as fases de sua carreira e os romances que protagonizou. Embora esta pareça uma interpretação arriscada e simplista, o próprio Picasso fazia questão de estabelecer relações diretas entre sua vida privada e os rumos de seu trabalho artístico. "Pinto da mesma forma como outros escrevem uma autobiografia", dizia. Nascido em 1881, em Málaga, Espanha, Pablo Picasso era filho de um professor de desenho e, desde cedo, demonstrou um talento singular para as artes. Quando tinha 14 anos, seus pais mudaram-se para Barcelona, onde montou seu primeiro ateliê e conviveu com os intelectuais e boêmios da cidade. Aos 20 anos, viajou para Paris, onde levou uma vida espartana, dividindo um pequeno quarto com o poeta e jornalista Max Jacob. São desta época de sérias dificuldades financeiras, entre 1901 e 1905, os quadros de sua chamada "fase azul", caracterizada pela melancolia estampadas no rosto das figuras humanas que pintava.A "fase azul" teve fim quando entrou em cena, na vida de Picasso, a bela Fernande Olivier, uma mulher exuberante, que trabalhava como modelo para vários artistas. É quando surge, entre 1905 e 1906, a chamada "fase rosa" de seu trabalho, na qual predominaram os temas circences, com figuras recorrentes de dançarinos, acrobatas e arlequins. Mas foi em 1907 que Picasso deu a grande virada em sua carreira, ao produzir uma obra que viria revolucionar todo o cenário artístico da época: Les Demoiselles d’Avignon, marco fundamental da estética cubista. O quadro tem nítida influência das pesquisas de Picasso sobre a arte ibérica e africana, além de revelar seu contato com a obra de Matisse e Cézanne. É nessa síntese de referências que o pintor vai buscar os ingredientes necessários para compor o quadro célebre, que implodiu conceitos básicos das artes até então, como a perspectiva e o sombreado para expressar volume. Mas houve quem visse em um novo romance de Picasso, com outra bela mulher, Marcelle Humbert, as motivações para essa explosão criativa do artista.Em 1915, Marcelle morreu tuberculosa e, três anos depois, Picasso casou com a bailarina Olga Koklova, que lhe deu o primeiro filho, Paul. O casamento durou 20 anos, embora o coração instável de Picasso tenha começado a bater muito antes pela jovem Marie-Thérèse Walter, de apenas 17 anos, com quem manteve um tórrido caso de amor. O divórcio de Picasso e Olga foi traumático, com disputas judiciais que levaram o artista a ser impedido de entrar em seu próprio ateliê e a perder para a ex-mulher a posse do Château de Boisgeloup, onde ele e a lolita Marie-Thérèse encontravam-se às escondidas.Segundo uma das biógrafas de Picasso, Antonina Vallentin, foi por causa do romance com Marie-Thérèse Walter que Picasso modificou mais uma vez sua maneira de pintar: "É para ela que inaugura o seu modo de composição linear, com curvas sinuosas que reproduzem os movimentos sutis do corpo da amada". Ao mesmo tempo, Picasso passou a retratar Olga Kaklova como um monstro abominável.Picasso ainda dividia os lençóis com Marie-Thérese quando apaixonou-se pela fotógrafa Dora Maar, que lhe servirá de modelo para a figura da "Mulher que chora", no célebre painel "Guernica". Manteria o relacionamento amoroso com Dora até 1943, ano em que conheceu mais uma de suas musas, a também pintora Françoise Gilot, que foi a única mulher a abandoná-lo, dez anos depois, em 1953. Com 72 anos, Picasso resolveu casar mais uma vez, com Jacqueline Roque, 35 anos mais nova do que ele.Morreu em 1973, aos 91 anos de idade, com problemas na visão, na vesícula e na próstata.

Francisco de Goya


Biografia - Francisco de Goya (1746-1828)

Francisco José de Goya y Lucientes (Fuendetodos, Aragón, 1746) é, ao lado de nomes como Velázquez, Dalí e Picasso, um dos maiores nomes da pintura espanhola. Seu nome é grande não só por seu talento, mas também por sua entrega à emoção e ao momento, quando focamos os temas abordados por ele. Em um de seus mais famosos quadros, “Os Fuzilamentos do Três de Maio de 1808”, o artista retrata apenas homens se matando, sem que saibamos quem está vencendo, quem está perdendo. A irracionalidade das guerras, enfim.Goya começou a pintar aos 13 anos, e aos 17 mudou-se para Madri. A capital era o melhor lugar para artistas em busca de projeção, haja vista a monarquia opulenta da Espanha e o generoso patronato das artes existente na época. As “canvas” (cartões pintados a óleo), utilizadas na confecção de tapeçarias, eram sua especialidade nesses primeiros anos na capital. Aos 18 e aos 20 anos Goya tentou, sem sucesso, entrar para a Academia de Belas Artes de Madri. Após uma viagem à Itália, volta para a Espanha e, em 1773, casa-se com Josefa, irmã do pintor Francisco Bayeu que, ainda em Zaragoza, havia sido seu tutor.Mas foi somente em 1780, quando já tinha mais de 30 anos, que Goya começa a se destacar na profissão, sendo finalmente eleito membro da Academia de Belas Artes. Em 1785 recebe sua primeira encomenda importante: fazer um retrato de uma nobre duquesa. Em 1789, após Carlos IV ser coroado, torna-se um dos pintores da câmara do rei, e é a partir daí que sua carreira, finalmente, começa a “decolar”. Goya já passava dos 40.Nesse período os retratos e as composições iriam marcar a carreira desse artista. Ainda que, por vezes, não executasse com perfeição todos os detalhes de rostos e corpos, Goya era extremamente feliz no uso das cores e ao expressar os estados psicológicos dos retratados. É como se “penetrasse” nas mentes de seus personagens, trazendo para a tela marcas do caráter e do estado de espírito dessas pessoas. E essa habilidade se tornaria ainda mais tocante depois que o pintor perdeu por completo a audição.Em 1792 Goya fica gravemente enfermo, após contrair uma doença misteriosa que lhe paralisa os movimentos temporariamente, além de lhe causar cegueira parcial e total surdez. Abalado e psicologicamente frágil, ao se recuperar dá início a uma mudança na maneira de pintar, passando a usar cores mais escuras e a trabalhar com temas ora sombrios, ora fantasiosos, ora extremamente realistas e cruéis. A ocupação da Espanha pelas tropas francesas, lideradas por José Bonaparte (irmão de Napoleão), e a guerra civil que se seguiu, ajudaram a fazer do artista uma pessoa mais introvertida e perturbada.Goya seria ainda condecorado com a Ordem Real da Espanha em 1811, recebendo uma medalha do próprio José Bonaparte. Mudou-se para Bordeaux em 1823 e, três anos depois, se demitiu do cargo de pintor da corte espanhola. Uma vida reclusa na França lhe era então mais importante. Lá o artista morreria, aos 82 anos, de uma parada cardíaca. Deixou dezenas de “cartões”, tapeçarias, afrescos, telas e cerca de 300 gravuras.